Projetos Patrocinados
Patrimônio Imaterial
Produção
Música de Cavalo-Marinho e Boi-de-Reis na Paraíba
Responsável: Agostinho Jorge de Lima
Folguedos são festas populares, de origem religiosa (católica ou de religiões afro-brasileiras) ou folclóricas, realizadas anualmente, em diversas regiões do Brasil. Em sua execução, reúne teatro, música , dança e poesia.
O Cavalo Marinho é um folguedo do universo folclórico nordestino e brasileiro, típico das regiões da Zona da Mata Setentrional pernambucana e do Agreste da Paraíba. Consiste em uma variação do bumba-meu-boi e faz parte do ciclo de festejos natalinos, prestando homenagem aos Três Reis Magos.
O projeto Música de Cavalo-Marinho e Boi-de-Reis na Paraíba foi selecionado pelo Programa Petrobras Cultural 2005/2006, na Linha Preservação e Memória, categoria Patrimônio Imaterial. Essa seleção é destinada a ações de patrocínio ao inventário, pesquisa, registro, difusão e salvaguarda do patrimônio imaterial brasileiro. Os critérios são formulados tomando como referência os conceitos presentes na legislação brasileira – Decreto 3551/2000 – e na Convenção da UNESCO para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, 2003.
O projeto apresentou as seguintes realizações:
- registro fonográfico do repertório musical do cavalo-marinho e do boi-de-reis no estado da Paraíba, executada por três grupos tradicionais, e
- edição de CD com 30 (trinta) faixas-folguedos, acompanhado de livreto sobre a definição etnomusicológica dessas canções, a sua história na Paraíba e a história de vida criativa de seus mestres e brincantes.
Tratou-se do primeiro registro em CD da música produzida por três dos mais significativos grupos de
cavalo-marinho e boi-de-reis de três cidades do Estado da Paraíba: o Cavalo-Marinho do Mestre Zequinha, da cidade de Bayeux; o Cavalo-Marinho Infantil do Mestre João do Boi, da capital João Pessoa, e o Boi-de-reis Estrela do Norte, do Mestre Pirralhinho, da cidade de Santa Rita.
O registro revelou as peculiaridades da música desses folguedos que, em muitos aspectos, difere da realizada em outros estados do Nordeste. Outro aspecto ressaltado pelo projeto foram os processos de continuidade e descontinuidade, mudança e permanência dessa tradição musical na Paraíba (e a escolha de dois folguedos de adulto e um cavalo-marinho infantil teve como intuito revelar essa dinâmica).
O repertório foi definido a partir das canções escolhidas por cada mestre, em comum acordo com a equipe do projeto, e obedecendo aos interesses musicais de cada grupo e a critérios etnomusicológicos. A gravação do CD foi realizada em campo, isto é, nas comunidades onde esses grupos se inserem.
O lançamento do CD ocorreu no município de Bayeux, sede de um dos grupos participantes do disco, no dia 17 de julho de 2010.
Projetos relacionados
- Salu e o Cavalo Marinho - contemplado pelo Programa Petrobras Cultural 2009/2010, para desenvolvimento de curta-metragem animado em mídia digital, de aprox. 11 minutos, inspirado em fatos reais, que tem como tema a vida de Mestre Salustiano, um dos artistas populares mais famosos de Pernambuco e do Brasil. O filme, que tem o público infantil como alvo, contribuirá para a divulgação da cultura pernambucana e brasileira em produções audiovisuais.
- Revitalização do cavalo-marinho Boi Pintado - contemplado pelo Programa Petrobras Cultural 2005/2006, com os objetivos de divulgação da cultura popular do estado de Pernambuco e do grupo Cavalo-Marinho Boi Pintado; produção e manutenção de novo acervo material, incluindo-se indumentária, acessórios e instrumentos, bem como produção e impressão de material gráfico,; e ampliação a participação do grupo em eventos e espaços diversos, de forma a resgatar nos espectadores o verdadeiro sentido de celebração e entretenimento popular dessa tradição folclórica do nordeste brasileiro.
Sobre o folguedo Cavalo-Marinho
Nesse folguedo, a ‘orquestra’ do brinquedo é composta por rabeca, ganzá, pandeiro e reco-reco. Enquanto que os maracatus são requisitados o ano inteiro, o cavalo-marinho é celebrado de julho ao Dia de Reis (6 de janeiro).
Os músicos tocam sentados, compondo ‘o banco’. A dança tem passos rasteiros, para levantar poeira, intercalados com saltos rápidos e vigorosos. A encenação é executada em uma roda, tradicionalmente composta por homens. Atualmente as mulheres também participam da brincadeira.
O cavalo-marinho é considerado uma dança dramática. Utiliza nada menos que 76 personagens e é dividido em 63 partes. As sambadas duram a noite inteira: uma apresentação completa dura oito horas, sem intervalos.
A apresentação é intercalada com a participação do público e de todos os participantes e a entrada dos personagens, que são mais de 70, entre humanos, animais e fantásticos, e o auto consta de 63 atos. O boi surge pela manhã e é dividido entre os participantes.
O auto expressa as condições sociais dos engenhos: o Capitão Marinho representa o senhor do engenho; os negros, os escravos ou trabalhadores; os galantes e damas são as elites que vêm para a festa; o soldado é o representante da lei; o boi é um elemento constante para o homem do campo.